Notícias

“Quanto menos esclarecimento, maior o poder do empregador sobre a categoria”, afirma advogada

15 de maio de 2026

O crime cometido contra uma trabalhadora doméstica no Maranhão, chocou o país na última semana. A jovem de 19 anos, negra e grávida de 6 meses foi torturada pela patroa e por um policial militar. Ambos estão sendo investigados por tentativa de homicídio triplamente qualificado, tortura, cárcere privado, calúnia e difamação.

O motivo foi a suspeita de furto de um anel, posteriormente encontrado em um cesto de roupa suja. Não houve prisão em flagrante, mesmo com a trabalhadora ferida. Na certeza da impunidade, a patroa, Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, chegou a enviar áudios a conhecidos narrando o crime em tom de deboche. 

A advogada trabalhista do Sinpro Minas, Sanny Carla Simões, falou sobre o caso no programa Acesso Livre, da Rádio UFMG Educativa. Sanny é membra do Movimento Negro Unificado, diretora de Inclusão e Diversidade da OAB Subseção Barro Preto e conselheira suplente do Conselho Municipal de Igualdade Racial. 

Para Sanny, o crime é estarrecedor, mas ela considera que ainda mais escandalosa é a postura conivente do Estado. “A empregadora já foi condenada em 2025 por uma falsa acusação contra uma outra trabalhadora. O valor fixado pelo judiciário não cumpriu sua função compensatória, não reparou a vítima. É preciso indenizar para reparar e para proibir que o empregador cometa esse crime novamente. Se a punição tivesse sido exemplar no primeiro caso, nós não teríamos novamente. E, dessa vez, pior, porque houve agressões.”

Para ela, as falhas também são institucionais. “Se as instituições não barrarem e não estiverem à frente da sociedade, nós não temos como acabar com esse tipo de violência.”

Para ela, os casos de agressão a trabalhadoras domésticas são subnotificados, e que o caminho para mudar isso passa por combater a exploração trabalhista. “Muitas delas acreditam que o lugar delas é aquele e que elas não podem denunciar, que a posição que ocupam na sociedade não dá direito à denúncia. É muito complexo, é um trabalho que tem que ser feito com essa categoria no judiciário, através da entidade sindical, das associações, trazendo esclarecimento. Quanto menos esclarecimento, maior o poder do empregador sobre a categoria.”

 

Confira a entrevista na íntegra aqui

COMENTÁRIO

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Artigo
Bolsas
Ciência
COVID-19
Cultura
Direitos
Educação
Entrevista
Eventos
Geral
História
Mundo
Opinião
Opinião Sinpro Minas
Política
Programa Extra-Classe
Publicações
Rádio Sinpro Minas
Saúde
Sinpro em Movimento
Trabalho

Regionais

Barbacena
Betim
Coronel Fabriciano
Divinópolis
Governador Valadares
Montes Claros
Patos de Minas
Poços de Caldas
Pouso Alegre
Sete Lagoas
Uberaba
Uberlândia
Varginha