Notícias

Reforma do ensino médio: recuo de Temer pode ser novo golpe

24 de julho de 2018

CNTE afirma que governo pode acelerar o processo de desmonte da educação no Brasil até as eleições deste ano. Proposta representa modelo excludente e voltado para a privatização e terceirização do ensino

Após forte pressão e mobilização dos educadores, entidades sindicais e acadêmicas contra a reforma do Ensino Médio, o governo ilegítimo e golpista de Michel Temer (MDB) anunciou que irá recuar e alterar o texto polêmico que define as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular.

Entidades ligadas à educação, no entanto, alertam que esse pode ser mais um golpe do governo usurpador de Temer para acelerar o processo de desmonte da educação no Brasil até as eleições deste ano.

Uma das sinalizações apontada pelo MEC é a mudança no texto dos conteúdos de Ciências da Natureza e Ciências Humanas, que são as áreas onde não estão descritas, de forma clara e aprofundada, quais serão as diretrizes para compor a Base Nacional Comum Curricular.

Segundo a vice-presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marlei Fernandes de Carvalho, a categoria foi surpreendida com o novo posicionamento do governo federal, inclusive com falas do ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, mas não acredita que as mudanças alterem o teor da proposta.

“Não dá para confiar em um governo que, sem legitimidade, propôs, a toque de caixa, por meio de Medida Provisória, sem discussão e sem consulta popular, a reformulação da educação que retira o direito ao aprendizado de nossos estudantes”, diz Marlei, que também é secretária de Finanças do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato).

“O que Temer quer, na verdade, é acelerar a venda do Ensino Médio para a iniciativa privada”, avalia a dirigente.

A CNTE, por meio de nota, explica que a proposta do governo representa um modelo excludente e é voltado para a privatização e terceirização do Ensino Médio por meio de Parcerias-Público-Privadas (PPP). A entidade critica, ainda, que a formação comum dos estudantes do Ensino Médio poderá ser reduzida a menos da metade da carga horária geral.

Para Marlei, o único acordo possível com as entidades que representam os educadores do País é a retirada do documento. “Uma proposta de Base Comum Curricular oriunda dessa gestão do golpe de 2016 é impossível de ser defendida”, ressalta.

A coordenadora de Políticas Educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, concorda com a avaliação da vice-presidenta da CNTE e acredita que a principal motivação do recuo do ilegítimo Temer é a aproximação das eleições gerais deste ano.

“Com a chegada do período eleitoral, diversas pessoas que antes eram a favor da proposta do governo, agora têm se colocado de forma contrária ao texto”, explica Andressa.

Ela espera que a discussão sobre a Base Comum não retorne no ano que vem, após as eleições presidenciais, quando, segundo ela, “espera-se que todas as políticas de educação que foram implementadas à força pelo governo ilegítimo sejam revogadas.”

Recuo no texto

A vice-presidenta da CNTE, Marlei Fernandes de Carvalho, explica que o MEC tem sofrido muita pressão, com duras críticas e mobilizações até mesmo por parte de alguns conselheiros do Conselho Nacional de Educação (CNE), por isso a sinalização de recuo no texto. “Porém, temos uma avaliação de que vai ser mais um arremedo que não resolve em nada o debate que os educadores têm feito”, adverte.

“Já existem, inclusive, as Diretrizes Curriculares Nacionais aprovadas em 2011, que passaram por intensas discussões em todo o país, tiveram o apoio em massa dos educadores, e foram totalmente ignoradas pelo governo Temer”, completa.

A coordenadora de Políticas Educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, denuncia, ainda, que essa proposta é uma política isolada, que vem de cima para baixo, pautada pelo MEC com o apoio de algumas fundações empresariais que têm um modelo de educação baseado por resultados.

“Enquanto não revogarmos a Reforma do Ensino Médio, continuaremos tendo propostas esdrúxulas desse governo para a educação”, diz Andressa.

“São propostas com bases precárias, que restringem o direito à educação e que vão na contramão do que vinha sendo construído com base popular”, critica.

Privatização do Ensino Público

Em maio deste ano, a CNTE publicou uma análise sobre os reais objetivos da proposta da Base Nacional Comum Curricular. No documento, a entidade avalia que a estratégia de mercantilização do Ensino Médio (e da educação básica) é o principal mote da reforma, seguindo orientação do brutal ajuste fiscal imposto pela Emenda Constitucional (EC) 95 e outros expedientes do governo golpista de Temer, que situam a educação básica pública brasileira no espectro das políticas ultraliberais que dominam o país no pós-Golpe de 2016.

Implementada no Brasil por meio de um golpe jurídico-parlamentar e midiático, a política neoliberal do golpista Temer, que liquida o patrimônio público e entrega as riquezas naturais do país às empresas estrangeiras, também pretende rifar a educação, a preço de banana, para empresas que enxergam a área somente como uma fonte de renda e não como um exercício de cidadania.

Para Marlei Fernandes, somente a mobilização popular poderá dar um basta aos desmandos do atual governo golpista. “Queremos conclamar toda a sociedade a entrar nessa luta porque nós não vamos desistir que o governo recue dessa Base Nacional Comum Curricular, e que essa reforma do Ensino Médio seja revogada.”

Fonte: Rede Brasil Atual 

COMENTÁRIO

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Categorias

Artigo
Ciência
COVID-19
Cultura
Direitos
Educação
Entrevista
Geral
Mundo
Opinião
Política
Programa Extra-Classe
Publicações
Rádio Sinpro Minas
Saúde
Sinpro em Movimento
Trabalho

Regionais

Barbacena
Betim
Cataguases
Coronel Fabriciano
Divinópolis
Governador Valadares
Montes Claros
Paracatu
Patos de Minas
Poços de Caldas
Ponte Nova
Pouso Alegre
Sete Lagoas
Teófilo Otoni
Uberaba
Uberlândia
Varginha