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Universidades federais à beira de um colapso com cortes de Temer

14 de agosto de 2017

As universidades brasileiras estão em colapso diante do corte de verbas imposto pelo teto de gastos do governo de Michel Temer. A maior parte das universidades tem orçamento só até setembro.

As instituições enfrentam sérias dificuldades para pagar os salários do profissionais e a manutenção das atividades e serviços. A maioria só tem orçamento até setembro. E o quadro de colapso se repete em outras universidades como é o caso da Universidade Estadual do Rio Janeiro (UERJ), que recebeu apenas 65% do orçamento previsto para 2016 e está com os salários dos servidores atrasados há quatro meses.

“O estrago é colossal”, aponta Paulo Machado Mors, presidente do Sindicato Intermunicipal dos Professores de Instituições Federais de Ensino Superior do Rio Grande do Sul (ADUFRGS-Sindical), ao falar sobre a realidade vivida pelas universidades públicas e institutos federais.

Em entrevista ao Sul21, Mors, que é professor do Instituto de Física da UFRGS, assinala que essa situação faz parte de uma ofensiva mais ampla contra o Estado brasileiro. “No caso da educação, eu acredito que o grande objetivo é a privatização. Nunca antes na história deste país se estragou tanto em tão pouco tempo”, afirma Mors, alertando que o risco maior hoje recai sobre os institutos federais, que estão com a sua sobrevivência ameaçada.

A aprovação do teto de gastos pelo Congresso Nacional, em dezembro de 2016, estabeleceu um congelamento de investimentos por 20 anos. Mas em apenas seis meses, o estrago é fatal.

De acordo com o Ministério da Educação, o orçamento para 2017 era de R$ 35,7 bilhões, mas em março, o governo congelou R$ 4,3 bilhões, o que representa 12% do total. E a tesoura de Temer atingiu principalmente as despesas de custeio, que perderam 15% do orçamento inicial, e de capital (como a aquisição de equipamentos), com uma redução de 40%. Resultado: as universidades federais têm sofrido para pagar despesas como água, luz, segurança e limpeza.

A Universidade de Brasília (UnB), uma das mais importantes do país, tem um déficit acumulado de mais de R$ 100 milhões de reais no ano. e já de aviso prévio a cerca de 250 funcionários terceirizados. Segundo o sindicato da categoria, a força de trabalho terceirizada caiu quase que pela metade desde 2015.

Em Sergipe, diante de diversas especulações sobre uma possível suspensão das atividades neste segundo semestre, a UFS (Universidade Federal de Sergipe) emitiu nota negando que a instituição a suspensão, mas admite que só poderá encerrar o ano com as contas em dia se o “contingenciamento” acabar.

“Caso não haja liberação integral de 100% do limite orçamentário relativo a custeio, haverá, inevitavelmente, sérios problemas de execução de despesas de energia, bolsas, pessoal terceirizado (limpeza, segurança, apoio operacional etc)”, diz o comunicado.

A UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), no Rio Grande do Sul, demitiu cerca de 70 vigilantes no início do ano e suspendeu obras em andamento.

Os cortes atingem as pesquisa. Os 100 mil bolsistas do CNPq podem ficar sem receber já em setembro. Por meio de um comunicado, a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) avisou seus bolsistas de iniciação científica que, se nada mudar, o pagamento de agosto será o último.

Do Portal Vermelho, com informações de agências

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